segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Mediocridade. Perturbação.

Deitou-se e começou a pensar. Acendeu lentamente um cigarro, observando a vivacidade das chamas. Sentiu inveja por não ter em si mesma tamanha beleza e energia. Seus olhos, normalmente serenos e brilhantes, não sustentavam sequer uma fagulha de sensatez. Colocou seus óculos escuros, escondendo covardemente sua vulnerabilidade. Por um segundo, teve vergonha do próprio luar.

O céu estava tristemente deslumbrante: estrelas e nuvens pareciam se acompanhar, numa marcha sem qualquer objetivo ou pretensão. O ritmo era cadenciado e sonoramente mórbido, espalhando um grito de libertação e horror na calada da noite. Ela sorriu. Sua vida não estava diferente: era completamente guiada pela marcha negra e fúnebre da incerteza e da discórdia. A valsa que guiara sua vida até ali não mais existia, e o que sobrou foi apenas a sensação da realidade sobre suas costas. Tudo muito simples, objetivo e doloroso demais. Teve a plena certeza de que suas atitudes eram irracionais, pueris e desnecessárias. Desmoronou.

A mediocridade pulsava em sua pele. Em meio às baforadas ainda trêmulas e incertas, começou a pensar na vida e em sua ausência. Arrepios. A perda da individualidade havia abandonado a esfera moral e alcançado os mais altos níveis viscerais. Dilaceração. Dor. Tudo medíocre. Reconhecimento? Apenas de suas fraquezas. Compreensão? Nem mesmo de suas lágrimas. Olhou para o horizonte, e tudo o que viu foi um grande vazio; voltou-se para o passado, e tudo o que percebeu foram algumas presenças sem sentido. Tentou viver o presente. Fracassou.

Continue lendo!

domingo, 11 de outubro de 2009

Dormir... Flagelar... Viver.

Todo mundo diz que devemos viver o presente, sem olhar para o passado ou incomodar o futuro. Eu não. Acordo em diversas noites simplesmente pensando no rumo das coisas, como elas se modificaram ou se modificarão. Fico procurando significados em diversos gestos e atitudes mas, na maioria das vezes, pego novamente no sono. E sonho.

Sonho com um futuro digno, sem dificuldades ou conflitos. Sonho com a mulher ideal, que aparece ainda disforme em meus pensamentos. Tudo vai bem. Os níveis de endorfina parecem estar altos. Esboço um sorriso e... Acordo. Não vejo nada além do nada. Novamente me vejo envolto em sinapses catastróficas e com pouco sentido. O sorriso desaparece de imediato. Penso no presente, no futuro. No passado. "Como seria não existir? E se eu simplesmente não tivesse nascido?". Um arrepio percorre meu corpo, uma sensação de vazio toma conta do meu peito e me sinto terrivelmente mal [Já pensaram em simplesmente não existir?]. Torço para nunca mais ter pensamentos deste tipo, mas eles, como fantasmas teimosos, sempre retornam. Sinto medo. No fim de tudo isso, tenho uma sombria resposta. Sem minha presença, o mundo continuaria exatamente igual. Desgraças e intolerância ainda seriam sinônimos de coexistência pacífica; Bush e Dalai Lama ainda teriam existido. Minha ausência afetaria 10 ou 20 pessoas, se muito. Num mundo de bilhões de pessoas, isso não é nada. O medo passa, então, à angústia.

Entro então num ritual de auto-flagelação. Qual é, afinal, o sentido da minha existência? A resposta mais imediata e otimista se baseia em algumas premissas biológicas: "nascer, desenvolver, reproduzir, morrer". Neste momento, me sinto como uma mera máquina cumprindo padrões sociais. Acordar, sorrir algumas vezes, dizer algumas palavras e representar no teatro da maravilhosa modernidade, sem nenhuma plateia. Na representação deste grande teatro, todos são atores. A maioria deles não atinge nem mesmo a mediocridade. Volto para casa, sorrio mais algumas vezes e sinto a realidade tomar conta de mim. Fico desapontado pela falta de perspectivas e respostas e, como uma companheira sombria e agradável, a noite chega. Durmo, mas não sem antes perceber a verdadeira significação da solidão. Mais sonhos e cada vez menos endorfina. Acordar... Idealizar... Dormir... Flagelar... Viver. Tudo de novo.

Continue lendo!

sábado, 11 de julho de 2009

Como localizar o Peths na Fogueira

Chegou o grande dia! A Corrida da Fogueira é hoje! Apesar de eu estar com um medo quase mortal de não conseguir chegar vivo, convido você, caro leitor, a ir lá me ver e prestigiar o evento. Mas você deve estar se perguntando: como localizar o Peths em meio a tantos corredores? Simples. Veja a foto do Kit da corrida:

A plaquinha é bem conveniente, não? Heh. E seja o que Deus quiser.

Edit: A corrida foi muito boa! Empolgante! HOHO! Quando eu tiver o resultado exato, o tempo e tal, coloco aqui. Ah, eu cheguei vivo =D

Continue lendo!

domingo, 28 de junho de 2009

Matéria sobre a Fogueira

Como eu já havia dito antes aqui no blog, participarei da Corrida da Fogueira. Pois bem. Esta semana dei uma entrevista sobre isso para o jornal Tribuna de Minas, que fala de corredores que nunca participaram, e tal. A entrevista saiu hoje, mas... Eles erraram um dado. Disseram que vou correr 5km, a metade da prova! Poxa, vou correr a prova completa, 10km! Fail!

Odeio erros quantitativos. ¬¬

Enfim. Torçam por mim.

PS.: Ainda não acredito que o Michael morreu.

Continue lendo!

domingo, 21 de junho de 2009

Luzes apagadas e um atípico desejo noturno

Luzes apagadas, e aquela sensação de não poder mais dormir. O som de um turbilhão de informações sendo devidamente remoídas na calada da noite. O desejo do amanhecer, na busca de verdades às vezes inexistentes. Eis o resumo da madrugada mais desconcertante que, neste caso, tive o desprazer de vivenciar.

Desde que entrei na faculdade, pude ouvir os mais diversos comentários sobre meu curso. Coisa do tipo “Ah, você faz jornalismo? Você nem estuda então, né? Vida maaaaaansa!”; ou ainda, “Nossa, você vai morrer de fome!”. Desrespeito, de certa forma. Porém, desrespeito maior foi o dos ministros do Supremo Tribunal Federal, representados pelo ‘carismático’ Gilmar Mendes. O ministro Marco Aurélio Mello foi o único a honrar o exercício responsável e ético da profissão de jornalista. Debates já foram realizados, discussões foram aprofundadas, e eu continuo defendendo o diploma para o exercício da profissão. Muitos dirão: “Ah, mas em outros países, como nos EUA, o diploma não é exigido”. Não, não é mesmo. A questão é que lá existe outra visão sobre informação de qualidade. As empresas zelam por sua imagem que, na maioria das vezes, demora anos para ser construída. A credibilidade, eles sabem, não vem a troco de nada. Já no Brasil, a coisa parece ser muito mais descartável. Se um jornal cometer erros graves, basta procurar qualquer outro patrocinador que o mantenha; se não arranjar, basta mudar um pouquinho aqui e ali, colocar algumas mulheres na capa e pronto. O jornal trabalha como mera indústria, e se esquece de seu papel social. É a filosofia do "ganhar mais e pagar menos". O leitor fica em segundo plano: é insultado, desestimulado e, em vez de peça chave, passa a ser mero coadjuvante no processo de produção de notícias de qualidade. E depois ainda reclamam que o brasileiro não compra jornal.

Fico triste com isso. Os interesses empresariais novamente estão sendo privilegiados, enquanto a sociedade fica a ver navios. Sei que a faculdade não garante uma conduta exemplar para um jornalista, mas certamente é uma garantia a mais. Enfim, meu objetivo agora não é “chover no molhado”. Só queria deixar bem claro que considero a decisão do Supremo Tribunal Federal muito patética, e que não vou desistir da minha profissão. O Lula era metalúrgico e virou presidente sem um diploma sequer. Imaginem então onde um homem empenhado e com um diploma na mão pode chegar...

Não posso engravidar, mas ainda assim tenho desejos. Se a noite fosse (realmente) uma criança, a minha nasceria com cara de diploma. Daqueles bem válidos, registrados, certificados, assinados, reconhecidos. Ah, o nome? Se fosse menina, Ética. Se fosse menino, Respeito.

Continue lendo!